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Posted on jul 31, 2014 in Diários, Missão Fabricando Esperanças, Senegal

Um talibezinho estragou meu Ramadan!

Um talibezinho estragou meu Ramadan!

Sabe a Ceia de Natal? Muitas crianças bem vestidas, presentes e bebidas, clima de generosidade… Todo mundo fica “de bem”, todo mundo dá um tempo de todo mal, trégua.

Assim é o dia que encerra o Ramadan aqui no mundo islâmico. Uma família querida convidou a equipe do Caminho para a Ceia. A tradição aqui no Senegal, povo de índole amigável, é que muçulmanos convidem católicos para a mesa, num gesto de inclusão das minorias religiosas que sinaliza para a paz. Todo não-muçulmano é “católico”. É lá fomos nós! Descalços em volta da toalha no chão, comemos, bebemos e nos distraímos da dura jornada por aqui. Nem parecia que estávamos em expedição. Que tempo bom, mágico. Acostumados à hostilidade, estranhamos a hospitalidade do chefe de família, um líder do Islã em Dakar. Brincamos muito, ouvimos histórias sobre Meca e o Profeta. Falamos da fé em Cristo. Nos despedimos com alegria e quase a gente acreditou no conto de fadas do “natal muçulmano”. Mas todo Natal é igual: quando se vira a página, a realidade é a falta de solidariedade para com os pequeninos, os fracos, os pobres, os indefesos e os órfãos.

Então, passamos em frente à Dhara, escola do Alcorão, e um menininho de menos de 5 anos dormia num colchão podre, fora da escola, vestindo trapos imundos, exausto de um dia inteiro de escravidão. Escravo não tem feriado nem no Ramadan. Sem trégua! Dia bom pra fazer dinheiro!

Ficamos ali nos perguntando porque raios todo mundo passa por um “bebê” com sua melhor roupa e esse restinho de vida humana tem que ficar assim? Governo frouxo, polícia ausente, cultura leniente, olhar público cauterizado e a festa continua em meio aos tombados pela interpretação maliciosa do Livro, que trata com honra os Marabuts que enriquecem às custas da mendicância infantil – feito à submissão aos lobos pastorais do “Cristianismo de mercado” no Ocidente! (Até a presidente do Brasil vai estar na inauguração do Templo de Mamom. Conveniência, politicagem, poderes desse mundo se confraternizando!). Eu tenho certeza que não sou daí não. Ah, mas nos domínios de Maomé, a religião também explora e Deus vai embora!

Por isso, meu Ramadan acabou…

Minha Meca é um garotinho. É na direção dele que eu oro. Sua vidinha é meu Templo, resgatá-lo é construir um altar sagrado!
Cidades não são sagradas. São só cidades!

Eu procuro por um Menino!

Em peregrinação,
Marcelo Quintela
Dakar, Senegal

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