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Posted on out 9, 2013 in Apoio Humanitário, Notícias

Dentista salva ‘crianças-bruxas’ na África

Dentista salva ‘crianças-bruxas’ na África

O dentista Marcelo Quintela, de 40 anos, nunca tinha pensado em viajar à África até setembro de 2009. Tudo começou depois de receber por e-mail um vídeo produzido por ingleses que mostrava o que acontecia com crianças nigerianas. “Eu comecei a assistir o vídeo e chorar sozinho no meu consultório (em Santos), e me disse: eu vou para lá, eu vou chegar lá.”

Em janeiro de 2010, ele fez a primeira expedição à Nigéria. “Nós realizamos palestras públicas, idas nas escolas, visitas em vilarejos, visita a famílias. O problema é que nós não conseguíamos devolver as crianças bruxificadas, e elas foram ficando na nossa mão, e a gente sem saber o que fazer porque não tínhamos a tutela delas”.

A expedição, chamada de Caminho Nações surgiu naquele ano, tentando evitar que as famílias nigerianas expulsassem seus filhos de casa. Motivo: a crença de que se tratavam de “crianças-bruxas”. Se algum líder religioso atribui esta condição a alguma criança, ela fica para sempre marcada por esse estigma. “Se alguém da família dela fica doente, a culpa é da criança-bruxa, qualquer mal que aconteça acaba sendo ligado à criança-bruxa”, explica Marcelo.

Então, essa criança é expulsa do vilarejo, não importa a idade. São praticadas várias torturas contra elas. O cardápio da violência inclui prego na cabeça, engolir ácido, derramar óleo quente, tudo no desespero de tirar da criança o suposto feitiço.

Como solução paliativa, Marcelo Quintela e outros voluntários começaram a levá-las para um orfanato nigeriano, que se tornou parceiro. Até perceberem que o orfanato era só um negócio. As crianças eram mantidas lá em estado de subnutrição. “Elas serviam de moeda. Eles apresentavam as crianças em estado deplorável para europeus e americanos e viviam do dinheiro das doações. Quando descobrimos que o orfanato funcionava dessa forma, decidimos então denunciar ao governo e a administração do orfanato passou a ser feita pelo Caminho Nações”.

Hoje, são duas instituições, uma na Nigéria e outra no Senegal, que atendem cerca de 100 crianças.

Nascido para ser voluntário – Marcelo Quintela nasceu em 1973. Filho de espanhóis, teve infância pobre, na Vila Mathias, em Santos, numa casa que, diferente da maioria das moradias do bairro, não era sublocada. O dentista cresceu em uma região onde, segundo ele mesmo, as crianças eram constantemente aliciadas por pedófilos. Ele diz ainda que antes do tráfico chegar, os pedófilos davam brinquedos e material escolar como forma de seduzir as crianças. Muitos pais, como não tinham condições financeiras, aceitavam os presentes.

Foi essa aflição que levou Marcelo a procurar a religião como forma de escapar desse tipo de aliciamento. Primeiro, a Igreja Católica, depois a Presbiteriana. E foi justamente lá que começou a realizar trabalhos sociais.

Dos 15 aos 18 anos, ele já despontava como líder da juventude religiosa ao realizar trabalho voluntário. “Eu tinha uma vida na escola, uma vida em casa e outra de voluntariado e prestação de serviços ao próximo. Na organização de sopão, a moçadinha toda ia junta. Um dia você se diverte, outro dia você vai visitar um asilo, no outro visitar uma creche. Foi aí que eu percebi que não conseguia desligar os olhos de tudo aquilo. Eu comecei a enxergar além do meu próprio conforto.”

Os primeiros passos foram incursões e ajuda aos necessitados do Dique da Vila Gilda, na divisa de Santos e São Vicente. Depois, o Dique Sambaiatuba e a Vila Telma.

Graças à insistência da mãe, Marcelo Quintela conseguiu entrar na faculdade. O pai era totalmente contra. Queria que Marcelo seguisse os caminhos como caminhoneiro. A mãe, mesmo que tardiamente, fez faculdade de Pedagogia, depois se tornou professora, orientadora e, por fim, diretora de escola. Foi ela quem inicialmente bancou o curso de Odontologia do filho. Quase tudo o que ela recebia era para pagar a faculdade.

O ano 2000 começou com uma desilusão institucional religiosa muito grande. “A Igreja já não era parecida com aquela que eu iniciei. Ela havia virado uma instituição para cuidar de si mesma, na minha opinião. Foi aí que eu me afastei de pertencer a qualquer igreja e me associei a alguém que me inspirou muito na adolescência, que foi o reverendo Caio Fábio”.

Caio chegou a trabalhar com o Betinho no Viva Rio, Rio Desarme-se, Casa da Paz, em Vigário Geral, e Fábrica da Esperança, o maior projeto social dentro de uma favela, em Acari, na capital carioca. “Foi aí que eu disse a ele que estava livre das coisas religiosas para me dedicar à humanidade.”

Nesse momento, o reverendo Caio estava reunindo pessoas em torno de um projeto chamado “Caminho da Graça”, que é um movimento de consciência para que as pessoas despertem para o amor ao próximo.

Família – Marcelo é casado com Rejane, com quem tem dois filhos: Leonardo, de 13 anos e Lucas, de 9 anos. “A pessoa que tem a vida que eu tenho e diz que está tudo bem, ele não está sendo de todo sincero. Quem cuida da rotina da família e do consultório é a minha esposa. Se não fosse o suporte que ela me dá, eu não conseguiria voar como eu voo”.

O dentista comenta que a sua maior recompensa é quando chegou em casa e seu filho mais novo mostrou um desenho da escola em que a professora pediu que as crianças desenhassem um herói. O menino fez um desenho e disse que “o meu herói vai à África. Meu herói salva crianças da escravidão e, o mais importante de tudo, é que esse herói é meu pai.”

Instituto Religar – Marcelo também ajuda no Brasil. O Instituto Religar é uma incubadora de projetos sociais. São voluntários que se dispõem a colocar a mão na massa para ajudar ao próximo. Eles fazem recrutamento, treino e envio de voluntários para apoio em calamidades públicas, desastres naturais, tragédias urbanas e fome.

Atualmente, a instituição tem trabalhado no combate à seca no Sertão do Pajeú, levando água, leite e ensinando artesanato para que os moradores locais possam sobreviver com uma renda construída por eles próprios. “Nós construímos poços para retirada de água do subsolo. Com isso, eles passaram a poder plantar frutas e hortaliças. Até melancias já podem ser vistas por lá”, comemora.

Fonte: UNISANTA Online

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1 Comentário

  1. Fiquei surpresa de ver o Dr Quintela envolvido nessa causa das crianças bruxas. Entrei no Google para mais informações. O abandono , a exploração das crianças entristeceu meu coração. Que Deus continue do seu lado dando força nesse árduo caminho e missão.

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